Sobre a insegurança

Coronavírus é o tema principal das conversas de todo mundo no momento. E desse tema derivam diversos outros. Um deles é a insegurança. Todo mundo está se deparando com esse sentimento, com a falta de controle sobre a própria vida.

Isso me levou a duas reflexões.

A primeira delas foi incentivada pelo meu pai. Como jornalista, ele presenciou várias inseguranças, sendo em relação a doenças endêmicas como AIDS e malária, em relação a guerras, em relação a pobreza, em relação a violência de qualquer tipo. Existem pessoas no mundo que não vivem um dia sem esse sentimento de insegurança. Elas não conhecem o que é ter “controle” sobre suas próprias vidas.

Deve parecer estranho e desconexo falar dessas coisas agora. Mas talvez a nossa situação atual seja o mais próximo que você e eu chegamos da insegurança dessas pessoas. Sentir e compreender isso pode mudar muitas coisas depois dessa quarentena. Pode gerar empatia e reconhecimento de privilégios.

A segunda reflexão é sobre nossa ilusão de controle. Fazemos planos, estabelecemos prazos e chega a pandemia do coronavírus.  Já estamos à deriva do acaso e dos outros na nossa vida, mas situações gritantes como essa nos fazem ter certeza que pouquíssimas coisas dependem somente da gente para acontecer.

Então, essa situação toda é um aprendizado sobre desapegar e não sofrer tanto quando as coisas não saem do jeitinho ou na hora que a gente quer. É hora de respirar fundo, ocupar-se com o que te faz bem, e entender que tudo passa, seja bom ou ruim.

É uma lição de paciência, empatia e entrega. É sobre nos entender como parte do meio. É sobre ser coletivo.