
Ano passado assisti à série Atypical, minha primeira imersão na realidade de uma pessoa no espectro autista. Você começa a ter ideia porque a luz e o barulho incomodam, porque as emoções ao redor podem ser tão difíceis de entender. Quando os colegas na escola estão tirando sarro dele, Sam nos diz que sabe que estão rindo dele, só não consegue entender o porquê.
É estranho pensar que o que nós vemos, ouvimos, sentimos e vivenciamos é completamente diferente da experiência dos outros. É como se um mundo inteiro habitasse dentro de cada um de nós.
E é por isso que eu gosto de ler, me dá a oportunidade de visitar esses outros mundos, mesmo que seja com alguns filtros dos quais seja impossível me desprender.

Recentemente li o livro Passarinha, de Kathryn Erskine. Ele aborda a Síndrome de Asperger, que tem suas semelhanças com o autismo, mas as habilidades linguísticas e intelectuais geralmente são mais desenvolvidas.
Acompanhei, em primeira pessoa, Caitlin, de 10 anos, que acaba de perder o irmão mais velho durante um tiroteio na escola. O dicionário dela é a forma dela entender o que ela deveria estar sentindo e o que deveria estar buscando agora que seu irmão se foi. Então, à sua maneira, Caitlin insiste que ela e seu pai precisam achar o tal do Desfecho. E nessa busca ela terá que aprender a lidar, entre outras coisas, com a temível empatia.
“Embora eu não achasse que iria gostar da empatia ela é uma coisa assim que chega sem avisar e faz você sentir um calorzinho gostoso no Coração. Acho que não quero voltar para uma vida sem empatia”
Caitlin
Pesquisas dizem que ler ficção é uma forma de desenvolver empatia. Deve ser por isso que fiquei com um calorzinho gostoso no Coração ao terminar esse livro.
Calorzinho no ❤️
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“E é por isso que eu gosto de ler, me dá a oportunidade de visitar esses outros mundos, mesmo que seja com alguns filtros dos quais seja impossível me desprender.”
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