Revisitando a Casa de Anne Frank

Anne Frank foi uma daquelas pessoas que não viveu para ver o sonho dela se tornando realidade. O seu desejo era publicar um livro depois que a guerra terminasse, baseado no diário que ela manteve entre 12 de junho de 1942 e 1° de agosto de 1944. Seu pai, Otto Frank, único sobrevivente da família, foi quem o fez posteriormente.

Por mais que muitos já tenham ouvido falar de Anne Frank e por mais que muitos já tenham inclusive lido seu diário, vim contar sobre a minha experiência.

Eu nunca tive vontade de ler esse livro. Pensava que uma garota de 12 anos não escreveria tão bem e não soubesse de tantas coisas como soube Anne Frank. Mesmo seu diário tendo sido escrito quase inteiramente dentro de um esconderijo, Anne estudava álgebra (que ela odiava), mitologia, linhagens reais, e estava por dentro dos últimos acontecimentos da guerra e da perseguição aos judeus.

Kitty, sua amiga imaginária e destinatária do seu diário, ficava sabendo de tudo que acontecia no esconderijo: os conflitos, as refeições, as ameaças de serem descobertos. Anne compartilhou sua paixão, alegria, raiva e depressão naquelas páginas, de uma forma visceral e autêntica.

Mas o que tornou minha leitura tão imersiva, além disso tudo que já contei, foi o fato que eu estive lá, no dia 5 de dezembro de 2018.

Entrada para a Casa de Anne Frank, em Amsterdã
Canal que passa na frente da Casa de Anne Frank & Eu

Enquanto Anne descrevia para Kitty como era a casa do endereço Prinsengracht, 263, em Amsterdã, eu conseguia visualizar tudo na minha frente. O canal que passa por ali, a fachada da casa e todo o interior. Ela narrou como se chegava ao Anexo Secreto que ficava atrás de uma estante, e eu fiz aquele caminho. Também contou como colou diversas fotografias e recortes na parede de seu quarto, e eu vi aquelas colagens.

Planta baixa de Prinsengracht, 263, Amsterdã

A Casa de Anne Frank é um dos meus museus favoritos, que fica numa das minhas cidades favoritas. Muitos móveis e objetos foram retirados pelos nazistas, mas algumas coisas foram mantidas e o áudio que te acompanha por toda a visita é de arrepiar e fazer chorar.

Recomendo que todo mundo vá lá um dia, para sentir a energia e força da história dessa garota, dos outros que estavam escondidos com ela e de todos os judeus e outros perseguidos da Segunda Guerra Mundial. E é claro, leia o diário dela, antes ou depois, porque esse era o sonho dela.

Leave a comment