Quantos livros você leu esse ano? Quantos livros nacionais? Quantos livros de outras culturas? Quantas autoras mulheres? Quantos autores negros? Quantos livros com temática LGBT?
Faz cinco anos que mantenho um histórico de livros lidos. Mas esse ano isso se tornou muito mais significativo, porque me tornei mais consciente sobre o que eu leio.
Sempre fui leitora, mas notei que eu basicamente consumia romances ficcionais norte-americanos. Isso não é inteiramente ruim, e também é consequência de um mercado editorial voltado para essa literatura. Mas ainda bem que ambos estamos mudando.
Esse ano estou buscando mais diversidade no que leio. 19 dos 31 autores que li até agora foram mulheres. Li obras de 14 países diferentes (os norte-americanos continuam em primeiro lugar, não está fácil).
E falando em países, adotei dois projetos do blog Viaggiando, da Camila Navarro. Um deles é o Lendo o Brasil, ou seja, ler uma obra de cada estado brasileiro e distrito federal, que tenham uma temática correlacionada ao local de origem. Os livros nacionais que li esse ano (poucos, confesso) ainda não se enquadram nesse projeto, mas já fiz algumas aquisições promissoras.
O outro projeto é o 198 livros, correspondentes aos 198 países reconhecidos pela ONU. Aqui a ideia é ler um autor que reflita um pouco da história e cultura de seu país. O interessante é sempre contextualizar essas leituras com a história do autor e do país, nem que seja lendo a página do Wikipedia.
Quando vou terminar esse projeto? Impossível dizer, mas já li 6, só faltam 192. Seguem os já lidos, com sinopses adaptadas da Amazon (Black Friday é amanhã, ein):
Camboja: Primeiro mataram meu pai, de Loung Ung (5/5)
Filha de um oficial de alto escalão do governo, Loung Ung teve uma vida privilegiada na capital de Camboja, Phnom Penh, até os cinco anos de idade. Porém, em abril de 1974, o ditador Pol Pot assumiu o poder e liderou um dos regimes mais atrozes da história: o Khmer Vermelho. O exército invadiu a cidade, obrigando a família de Loung a fugir e, eventualmente, a se separar. Enquanto Loung se tornou uma criança-soldado, seus irmãos passaram a viver em um campo de trabalhos forçados. Primeiro mataram meu pai conta a jornada de Loung e de sua família durante esses anos terríveis.
Canadá: Vulgo Grace, de Margaret Atwood (4/5)
A partir de um caso real ocorrido no Canadá na década de 1840, o livro conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão, Thomas Kinnear, e a governanta da casa onde trabalhava, Nancy Montgomery. Em seu esforço para descobrir a verdade, o Dr. Simon Jordan, um jovem médico estudioso de doenças mentais, faz visitas constantes à jovem prisioneira. Teria sido ela ludibriada por James McDermott, humilhada demais por Nancy Montgomery, acometida de um acesso de raiva ou o mundo simplesmente estaria sendo injusto ao condená-la à prisão perpétua?
Estados Unidos: Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, de Maya Angelou (4,5/5)
Racismo. Abuso. Libertação. A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras. Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos.
Irã: Persépolis, de Marjane Satrapi (4,5/5)
Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita – apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos.
Nigéria: Hibisco roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie (5/5)

A adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.
Rússia: Ana Kariênina, de Liev Tolstói (3/5)
Publicado originalmente em forma de fascículos entre 1875 e 1877, antes de finalmente ganhar corpo de livro em 1877, Anna Kariênina continua a causar espanto. Com absoluta maestria, Tolstói conduz o leitor por um salão repleto de música, perfumes, vestidos de renda, num ambiente de imagens vívidas e quase palpáveis que têm como pano de fundo a Rússia czarista. Nessa galeria de personagens excessivamente humanos, ninguém está inteiramente a salvo de julgamento: não há heróis, tampouco fracassados, e sim pessoas complexas, ambíguas, que não se restringem a fórmulas prontas. Religião, família, política e classe social são postas à prova no trágico percurso traçado por uma aristocrata casada que, ao se envolver em um caso extraconjugal, experimenta as virtudes e as agruras de um amor profundamente conflituoso, “feito de sombra e de luz”.
Eu acredito na arte como transformador social, pois promove senso crítico e empatia acima de tudo. Qualquer tipo de arte. Por isso, se livros não te motivam, procure a sua forma de arte e diversifique a que você consome.