Se esse blog fosse um experimento, eu seria o objeto de estudo. Estou explorando minha escrita e a mim mesma. Quero, um dia, poder me ver em forma de palavras.
Faz um tempo que eu estava em busca de um curso de escrita criativa, justamente para aprender mais sobre. Foi aí que encontrei os cursos do Solar do Rosário, a construção rosa bebê antiga que fica no Largo da Ordem.

Matriculada em “A arte de escrever”, cheguei na primeira aula e me vi rodeada por três ou quatro pessoas da minha idade e muitos senhores. Sim, a faixa etária era + 60. Meu impulso inicial foi pensar “O que é que eu to fazendo aqui?”.
Falamos de criatividade, língua portuguesa, figuras de linguagem e editoras. Em todas as aulas, escrevíamos um ou mais parágrafos sobre um tema e devíamos lê-lo em voz alta.
Eu não sabia desse detalhe na primeira vez. A proposta era continuar a frase “Da janela do meu quarto”. Escrevi algo curto e simples. Parecia tosco, parecia ainda pior depois de outras pessoas lerem os seus próprios textos. A comparação era palpável.

Os senhores que citei tinham uma criatividade e uma leveza no seu estilo de escrita que eram invejáveis. A cada texto eu me surpreendia mais e mais com eles. E isso me levou a pensar: o que eu não estava fazendo?
Isso me lembrou de duas situações que passei em relação à minha escrita. No colégio, na aula de redação, a professora disse que sentia quando eu estava escrevendo sobre pressão, e meu texto só não ficava bom. O mesmo aconteceu há alguns meses, quando uma amiga me propôs escrever para uma revista na qual ela trabalhava. Enviei dois textos para avaliação, e ela e a chefe consideraram que de alguma forma faltava vida no que eu escrevi.

Escrita é arte ou técnica? Questionamos isso durante o curso. Eu penso que tem um pouco dos dois. Sou imediatista, quero escrever bem, mas é a prática que nos leva a arranjar boas frases e desenvolver um estilo próprio.
Além disso, como eu falei para a professora (Claudia Moreira, jornalista manauense muito querida), eu sinto um universo dentro de mim, de sentimentos e de ideias. Mas o que eu escrevo parece muitas vezes vazio desse todo. E essa falta de identificação me incomoda. Claudia me deu um conselho nada fácil: escreva, escreva muito.
A pressa, a vergonha e o medo não vão me ajudar a escrever mais e/ou melhor. Foi isso que Claudia e os senhores de mais de 60 anos me ensinaram. No fim, deixou de ser comparação e passou a ser inspiração.
Ahhhhh, sempre quis fazer esses cursos do solar! São incríveis, estou muito feliz por ver você realizando meu sonho por mim! por nós! hahah ❤
Quero ver os resultados dessa busca! E quero me inspirar em ti!
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