Minha história com os lobos

Estava buscando fotos da minha infância para me inspirar para o texto anterior que escrevi, quando me deparei com a foto abaixo.

Essa sou eu, com cerca de 6 anos, posando com um pelo de lobo sobre a minha cabeça (nunca soube se era verdadeiro ou falso). Ele pertenceu ao pai da minha amiga de infância Glória, chamado Ernö. Infelizmente ele faleceu há muitos anos em decorrência de um câncer, mas sempre vou considerar ele como um segundo pai. Ele foi uma criança órfã vinda da Bulgária para a Alemanha, virou um excelente chefe de cozinha e era um pintor nato. Ele tinha os cabelos longos, era cheio de tatuagens e brincos, e tinha uma atração intensa pela cultura aborígene. Eu acho que é isso que me mantém tão conectada a ele. Há um ano atrás eu encontrei aqueles cartões que recebemos em funerais, e o dele era o mais poderoso, com um desenho de um búfalo e agradecimentos por ele ter sido o espírito livre que era. Não sei porque faço essa analogia, mas para explicar para as pessoas como ele era, sempre gosto de citar o cavalo selvagem do filme Spirit.

Então, sempre que penso na minha essência, na minha natureza, o Ernö e os lobos vem a minha mente. Desde de pequena, eu fui fascinada por lobos. São animais livres, instintivos e selvagens, mas ao mesmo tempo fieis à sua matilha.

Eu lembro que eu pedia todos os tipos de brinquedos e objetos com temática de lobo, o que nem sempre era fácil de encontrar. Podia ser cachorro? Não. Eu assistia documentários, filmes e desenhos repetidas vezes. Lembro em especial do filme japonês Princesa Mononoke, que inspirou a sessão de fotos acima. No dia em que meu pai me levou em um zoológico e vi aqueles animais pela primeira vez, fiquei grudada na cerca com os olhos fixos neles. Eu implorava e sonhava em ter um lobo.

Filme Princesa Mononoke

Mais tarde, na fase “quero fazer uma tatuagem”, eu não tive dúvidas: a minha primeira tatuagem foi um lobo. E é como se fosse uma marca de nascença, me identifico muito mais com meu corpo desde então.

Agora eu estou lendo “Mulheres que correm com os lobos”, da psicóloga jungiana Clarissa Pinkola Estés. O título já diz muito sobre minha afinidade com a leitura. Já no prefácio e introdução, a autora compara a psique do lobo e da mulher selvagem. Uma das próprias personagens dos contos é La Loba. Sei que quando li isso, eu chorei, porque nunca houve um motivo para eu me sentir tão atraída por lobos. Simplesmente era natural. Talvez era eu, desde pequena, em busca da minha mulher selvagem.

“Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas”

Clarissa Pinkola Estés

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