Essa pandemia está trazendo mudanças. Somos obrigados a mudar a forma como a gente se relaciona e se conecta. Seja com a nossa casa, nossos familiares ou nossos amigos. Para mim, por incrível que pareça, a experiência tem sido gratificante.
Casa
Antes disso tudo eu já estava passando bastante tempo em casa, mas a quarentena me permitiu aproveitar mais os ambientes e os momentos. Estou aproveitando bem mais o jardim, sabendo que é um baita privilégio poder fazer uma leitura rodeada de sol e árvores. Estou cozinhando bem mais, além de ter começado a fazer pães regularmente, então ando bem conectada com a cozinha. Meu quarto se tornou um lugar para acolhimento, estudo, leitura, descanso, yoga, entre outras coisas. Nesse mundo onde ter muitos compromissos e mal ficar em casa é bem visto, aprender a ficar em paz com esse ambiente pode ser um desafio.
Família
Outro ponto é passar mais tempo com a família. Meu pai está em quarentena total por conta da idade, mas é um senhor bastante espirituoso e está lidando bem com o seu isolamento, apesar de ficar ranzinza um dia ou outro. Já minha mãe, como técnica de enfermagem, está na linha de frente de tudo isso, e estamos tentando aliviar o estresse dela o melhor possível quando ela está em casa. Criamos até um ritual: toda noite, depois do jantar, tomamos juntos uma dose de Cynar para “fazer a digestão” e conversar mais um pouco antes de dormir.
Amigos
Mas o que mudou mais drasticamente foi minha relação com os amigos. Sempre fui bastante conectada a eles e não poder sair com eles me afetou bastante. Então virei a louca das videochamadas, converso pelo menos duas vezes por semana com alguém. E uma coisa interessante que comentei com minha amiga Bruna em uma dessas chamadas é que, como não temos mais rotinas agitadas e cheias de acontecimentos, somos forçados a puxar papos menos banais e mais profundos. Um belo ponto positivo.
E o mais incrível vem sendo minha relação com as pessoas que já estavam longe de mim antes da quarentena, como a Elisiane nos EUA, o Thibault na Suíça, a Daphnny na França, a Isabelle na Alemanha e a Letícia na Dinamarca. Acho que o esforço para se sentir próximo está sendo muito mais forte nessas amizades.

A Letícia, por exemplo, como falei no meu primeiro post, é uma das minhas amizades mais inesperadas, pois nas duas vezes que estivemos juntas foi por períodos extremamente curtos, primeiro durante um mês de estágio e depois por quatro dias em Budapeste. E nessa quarentena a gente se fala quase todos os dias e há duas semanas estamos imitando um projeto que ela conheceu em Copenhagen, que é um encontro de escritores amadores. Eles simplesmente sentam e escrevem. E é isso que estamos fazendo todas as quartas. Ligamos o Skype, batemos um papo e escrevemos durante uma hora. Meus melhores textos estão saindo desses momentos, e a escrita voltou a ser algo prazeroso e menos mecânico. É um dos meus momentos favoritos na semana. Confira os textos dela aqui e seguir o instagram dela @leticiamanosso.
Esses são alguns insights e pontos positivos no meio dessa loucura toda. Está sendo sobre se adaptar e se relacionar de forma diferente com ambientes e pessoas. Fico disponível para conversas existenciais por videochamada.
Ahhhh olha essa Leticiaaaa na foto! Que prazer estar aqui neste post! Nossa amizade se transformou em uma parte muito importante da minha vida, Sofia! Nunca imaginei que uma amizade poderia se fortalecer a distancia, mas nosso caso esta ai para servir de exemplo! Obrigada por me inspirar todos os dias!
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