Quando o leitor anônimo se revela

Quarta-feira é dia de escrita criativa/sensível – eu e Letícia estamos buscando a definição ideal. Letícia está no canto superior direito da tela, engajada com o seu texto (leiam, ficou intenso). Hoje ela está de batom vermelho após ter feito uma sessão de fotos online (quarentena, né?).

Esse texto tem um roteiro zero definido, mas quero falar sobre escrita, sobre esse blog e sobre vocês, leitores anônimos.

Há mais de um ano que escrevo regularmente sobre aleatoriedades, como vocês puderam ver. Passei por fases em que a escrita foi mecânica, sem ânimo, apenas um esforço para cumprir uma meta. Hoje estou em uma fase mais criativa e fluida, devo isso muito aos meus encontros semanais inspiradores com a Letícia. Apesar de terem hora marcada, eles se tornaram um ritual.

A palavra escrita me atrai há muito tempo, as aulas de redação da professora Angela foram fundamentais para isso. Tenho até hoje guardado um recadinho dela em um texto meu, no qual ela se dizia orgulhosa por me ter como aluna. Mas ainda assim, expor seus textos é outra história. Escrever e publicar algo, com seu nome e sua história envolvidos, mexe com muita coisa. Mexe com o ego, com a autoestima, com a insegurança. Alguns textos meus mal foram acessados. Nunca tive muitos acessos na verdade. Na era da infoxicação e do visual, não é fácil fazer alguém abrir um blog e ler um texto durante 10 minutos. Como já falei com a Letícia, as vezes achamos que nós somos as únicas que lemos e comentamos o texto uma da outra. 

Mas sempre tem aqueles números anônimos. Às vezes você descobre quem eles são. E é sempre uma surpresa receber um “Leio os seus textos”. Isso faz o meu dia e, por mais que a escrita seja um processo interno, saber que alguém está lendo, reagindo e se identificando com isso me estimula e aquece meu coração.

Segunda-feira recebi um dos “Leio os seus textos” mais emocionantes. Ele veio em formato de carta-email para poder unir pensamentos sobre diversos textos meus. Quem escreveu ele foi a Rafa. Estudei com ela durante cinco anos na faculdade, sempre conversamos um pouco, mas nunca pude conhecer ela além da sala de aula e do diploma (que ainda não recebemos e não sei quando receberemos agora). Na semana passada nós já tínhamos feito um facetime para compartilhar nossos momentos pós-faculdade, por termos trajetórias e momentos atuais similares.

As palavras dela me fizeram entender o impacto que eu posso gerar com a escrita, e me aproximaram de uma pessoa sobre a qual eu sabia tão pouco. Vulnerabilidade gera vulnerabilidade. Descobri que ela também sente uma conexão com o “animal”, principalmente quando corre; ela também brincava de LEGO quando criança; ela tem a ideia de fazer um projeto que ajude cachorros; ela quer desbravar esse mundo para ter experiências intensas; ela também está perdida em relação a muitas coisas. E para melhorar, ela deixou desenhos seus no corpo do email, parecidos com os que eu via ela fazendo nos cadernos da faculdade, o que me gerou uma nostalgia deliciosa. E quando eu fiz o pedido para falar dela aqui, ela fez esse desenho LINDO do começo do post. Obrigada.

Essa conexão por meio dos meus textos e dos e-mails que trocamos me fez pensar quantas pessoas eu não tive a oportunidade de conhecer além dos estereótipos. Por isso você, que lê meus textos anonimamente, compartilhe comigo, amo relatos. E quem sabe, assim como com a Rafa, depois dessa quarentena não tomamos um café?

2 thoughts on “Quando o leitor anônimo se revela

  1. Eu que agradeço sofi, você traduziu em palavras essa incrível troca e abertura que tivemos, foi uma das melhores coisas que fiz durante a quarentena. Aqui é a Rafa, que deixou de ser leitora anônima. Estarei por aqui:)

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  2. Esse texto me representa 100%, você já sabe né? Vou até compartilhar para reavivar meus leitores anônimos também, pois eles são os melhores! Trazem surpresas e calorzinho no coração ❤

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