Minha relação com as cores

Nos últimos dois anos, cor é um tema latente para mim. Parece sem importância, mas eu sempre senti energia por meio das cores e me preocupei em ter uma resposta para “Qual é a sua cor favorita?”. Rosa, roxo, lilás, turquesa, azul, verde e bordô já foram minhas respostas.

Quando eu era criança, meus pais nunca me uniformizaram com uma única cor, muito menos com “cores de menina”. Eles até avacalhavam comigo em composições de estampas e cores nada harmoniosas. Já lá pelos meus 10-12 anos eu mesma me submeti à ditadura do rosa, roxo e lilás, tanto que hoje exclui por completo essas cores do meu guarda-roupa.

Conforme fui envelhecendo, fui me tornando mais sóbria nas cores, e também no meu estilo. Calça jeans, camiseta neutra e cardigan na minha cor favorita do momento. Para mim não parecia importante me expressar por meio do que eu vestia. Uma vez ou outra eu tinha um impulso de comprar uma peça colorida ou diferenciada, mas no fim não me identificava com aquilo.

Em novembro de 2018 viajei para o inverno europeu, cheia de casacos, suéteres, calças e sapatos em tons cinzas e pretos. Quando fui visitar a Letícia em Budapeste, fomos fazer um ensaio fotográfico meu. E eu escolhi uma roupa INTEIRA cinza e lisa (a bota era azul, mas azul acinzentada) e quase sem nenhuma maquiagem. As fotos ficaram lindas independente, mas havia frieza nelas, e a Letícia até comentou que eu deveria usar mais cores, algo vermelho talvez.

Dois dias depois, Letícia tinha um compromisso de mestrado e passeei sozinha pela cidade. Entrei em uma H&M (a loja da minha vida) e me dediquei a fugir das minhas cores neutras e habituais. Comprei um suéter amarelo mostarda e uma calça preta e branca (mas xadrez). E antes disso, passando por um mercado central, eu comprei um cachecol vermelho e azul (que estou usando hoje inclusive). Foi o começo da minha abertura para as cores.

Depois de Budapeste, o cachecol vermelho e azul foi meu fiel companheiro durante a viagem.

Mesmo assim, conforme passou o tempo e eu tentei implementar mais cores no meu guarda-roupa, aquele colorido vibrante me incomodava e eu ainda não me identificava com o que eu vestia. Começou a minha saga de brechós, me desfiz de pelo menos 70% do meu armário e virou rotina trocar preças. Mas eu seguia em uma insatisfação contínua, enjoando das peças e considerando elas inadequadas em pouco tempo.

No começo desse ano eu fiz algo que queria fazer há muito tempo. Fiz um curso de análise de cores. Existem diversos métodos, mas é basicamente encontrar a paleta de cores condizentes com nosso subtom de pele. Aqui em casa temos um livro sobre isso, mas com apenas quatro paletas: primavera, verão, outono e inverno. O meu teste do livro sempre dava primavera.

No primeiro dia do curso eu falei sobre essa minha busca por identificação. E o que eu estava vestindo? Uma blusa preta, por ironia do destino. No último dia do curso, fui a última aluna a fazer o teste. E foi um choque e alívio ao mesmo tempo. Sou outono suave, tenho o subtom quente por incrível que pareça. Por isso o bordô, o turquesa e o verde sempre me atraíram tanto. É por isso também que tons muito chamativos não harmonizam comigo. Minha paleta é cheia de cores, mas todas com baixa saturação. É cheia de rosinhas, roxinhos e lilases. Ainda preciso fazer as pazes com essas cores.

Assim que terminei o curso e vi meu guarda-roupa pensei “Está tudo errado”, mas controlei o impulso de jogar tudo pela janela. Fiz algumas trocas em brechó, e foi incrível como pude passar reto nas várias roupas brancas e pretas que não estão na minha paleta, e todas as peças que vesti harmonizaram comigo.

Mas ainda assim, cor não é tudo, e para mim é o primeiro passo de um grande processo de ressignificação do que é me vestir. Não é futilidade pensar nisso, é uma forma de se expressar no mundo.

Escrevi esse texto de cabelos tonalizados de ruivo. Nunca achei que um tom quente e avermelhado ficaria bem em mim. Faz parte do meu processo de reconciliação com as cores.

One thought on “Minha relação com as cores

  1. Aiiii mandei um comentário e acho que não foi! Novamente, a única coisa que está faltando nesse texto é uma foto dessa ruiva maravilhosa que escreveu o texto, né? Achei muito interessante essa descoberta das cores, eu particularmente amo todas e uso todas, mas confesso que algumas caem melhor, preciso descobrir minha paleta!

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