Sugerindo alguns livros

Eu gosto de ler histórias que me provoquem por serem muito semelhantes à minha realidade, expondo sentimentos e pensamentos íntimos, ou muito destoantes dela, me mostrando o que acontece fora da minha bolha. Aqui estão alguns dos livros que me impactaram, sem ordem pois seria uma tarefa muito difícil.

OUTROS JEITOS DE USAR A BOCA, de Rupi Kaur

Poesia é um gênero que admito ler pouco. É difícil para mim me conectar com tão poucas palavras. Mas Rupi Kaur conseguiu, com poemas simples sobre amor, violência, ser mulher.

A leitura de seus versos me impactou tanto que eu decidi fazer um livro viajante. O meu exemplar passou por cerca de 18 meninas, que interagiram com o livro, escrevendo, desenhando, relatando suas histórias, criando uma nova obra, tão sincera e impactante quanto a original.

IT, A COISA, de Stephen King

Foram quase 3 meses carregando esse calhamaço de mais de 1000 páginas pelos ônibus curitibanos. Quem acha que essa história vai ser sobre um palhaço da pesada assombrando criancinhas, está parcialmente certo.

A construção das personagens e a amizade são o coração da história. Sabe quando você se envolve e acredita no que está sendo descrito? Foi isso que o sr. King me proporcionou, uma imersão completa na pacata cidade de Derry e seus habitantes.

PARA PODER VIVER, de Yeonmi Park

Essa história me tocou pelo simples fato de ser real. Yeonmi Park narra a sua vida antes, durante e depois da fuga da Coréia do Norte. Ela e sua família tiveram que se submeter a condições terríveis para poder atender suas necessidades mais básicas.

Quando ela finalmente chega na Coréia do Sul, Yeonmi descreve a sensação de estar livre para pensar, algo que, pelo menos para mim, sempre foi inerente. Foi um livro para chocar e fazer chorar.

SÉRIE NAPOLITANA, de Elena Ferrante

Os quatro livros narram a trajetória das amigas Lenu e Lina da infância à velhice na cidade de Napóles, na Itália.

A história é contada em primeira pessoa por Lenu, e apesar de amar cada página desses livros, eles sempre me deixavam incomodada. Eu nunca vi uma descrição tão crua e sincera de emoções e pensamentos, inclusive daqueles dos quais sentimos vergonha por ter, sabe?

Elena Ferrante é uma das melhores autoras que eu já li por conta disso, ela tem o poder de tornar a sua história crível e sensível.

VOZES DE TCHERNÓBIL, de Svetlana Aleksiévitch

Essa senhora simplesmente ganhou o prêmio Nobel da Literatura por conta desse livro. Svetlana transcreve relatos orais de pessoas que viveram a explosão da usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia, em 1986.

O país ainda era parte da União Soviética na época. O governo não evacuou imediatamente a área, colocou pessoas para trabalharem sem proteção contra a radiação e tentou esconder a tragédia do mundo. Os relatos nesse livro são tão vívidos, e o que essas pessoas comuns viram, experimentaram e sofreram é quase inimaginável.

AMERICANAH, de Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda é uma escritora nigeriana, que discute com muita clareza e propósito questões sociais, feministas e raciais. Antes de ler Americanah, eu já tinha visto o vídeo de sua palestra chamada “Somos todos feministas”, cheio de argumentos e conceitos nos quais eu nunca tinha pensado antes.

Americanah conta a história de Ifemelu, que vai aos Estados Unidos para estudar, deixando para traz sua família, namorado e a cidade de Lagos. Eu aprendi muito com a forma sutil de explicar coisas difíceis de serem explicadas. Americanah abriu minha mente em muitos aspectos.

NA NATUREZA SELVAGEM, de Jon Krakauer

Provavelmente você conhece o filme que conta a história de Chris McCandless, ou Alexander Supertramp. É um dos meus filmes favoritos, no qual esse garoto larga tudo e parte rumo ao Alasca.

Ele acaba morrendo. Isso não é um spoiler. Essa história é real e o jornalista e alpinista Jon Krakauer se interessou e resolveu documentar ela. Por isso, o livro é menos narrativo e poético do que o filme, mas tão emocionante e reflexivo quanto.

A moral dessa história é que, apesar da necessidade de adentrar sozinho a natureza selvagem, no fim das contas a viagem de McCandless foi grandiosa por conta das pessoas que ele encontrou no caminho.

Sobre ser estrangeira na própria vida

Às vezes eu me sinto meio fora de sintonia entre quem eu sou e quem eu estou sendo, e você? É como se existisse uma Sofia que não é a mesma que interage com o mundo e que talvez nem tenha esse nome. É como se ela vivesse escondida, observando tudo, sem interferências externas.

E tudo bem essa “Sofia” ser intocada. Mas alguns momentos me fazem imaginar quem eu seria sem as camadas do mundo “real”, sabe? Como quando se fala no budismo em dissolver o ego e nossas inúmeras identidades. Existe uma versão minha que é filha, amiga, aluna, profissional, desconhecida. Mas quem eu sou além disso?

Identidade. Esse foi o tema de uma peça que fui nesse domingo, chamada “Estrangeiras”. Apresentado pela companhia de arte Crisálida, o espetáculo mostra 4 mulheres em busca de pertencimento, de identificação e de sentido.

A nossa forma automática de interagir e interpretar as coisas complicou um pouco o começo da peça para mim. O tema não era abordado de uma forma direta, a peça era cheia de sutilezas, explorava o som, a imagem, a performance do corpo humano.

E eu estava ali esperançosa pela parte em que eu encontraria respostas para as minhas perguntas. A necessidade que a gente tem pela causa-efeito, que tudo tenha uma explicação lógica, estava me impedindo de entender que esse não era o objetivo. Eu tive esse insight durante a peça (ainda bem) e comecei a deixar que os detalhes viessem até mim, sem interferir. Apenas sentindo, ora com os olhos, ora com os ouvidos, ora com algo mais íntimo.

Saí do teatro com aquela sensação de “não sei opinar”. Fui tomar uma cerveja, discuti a peça, li o folheto de novo. A moral da história é que se sentir estrangeiro na sua própria vida é natural, a inquietude vai te perseguir, as perguntas não vão parar de surgir e as eventuais respostas são impermanentes. E tá tudo bem. Essa ocasional angústia existencial passa.

Como escreveu Nietzche, “temos a arte para não morrer da verdade”. Por isso vamos prestigiar a cena artística curitibana. “Estrangeiras” ainda acontece até o dia 26 de maio no espaço Obragem. Tem mais duas peças bacanas acontecendo durante esse mês, chamadas “As cidades invisíveis” e “Mona Lisa vs Adolf Hitler”. Como disse uma amiga minha, cultura tem que ser compartilhada.

A life enthusiast called Magdalena

Magdalena Karol is one of the managers at the Portree House where I was volunteer housekeeper for five incredible weeks.

Besides that, she’s an artist, in all possible ways. The whole place is decorated with her art or at least a touch of her imagination and passion.

And because of that and everything else that comes with her, she’s an amazing person.

When it was Magda’s shift, we always had energizing music in the kitchen. Rock, jazz, soul.

And if she was there for dinner, we had a curious and excited person about our food, besides of the great stories she shared with us.

Those days back there brought a lot of questioning about what I was supposed to change in my life. Magda gave me good advice and reminded me that the answers to our questions don’t come at once. Sometimes they will just pop up when we’re not expecting them.

And the things you’re truly meant to be/do will not be a burden, they’ll come naturally.

Magda also said some things to me that made me realize I’m projecting to others my true colors, people are receiving my message.

During some dinner preparation, she stopped my sentence to say “Sofi, you know you’re really inspiring?”, and some other day “I want you to share with me, even in 10 years, whatever you feel free to”.

That’s why we created a shared Instagram account. And a couple weeks ago I posted a picture of a lake and a cup of coffee I was holding. The big deal about that picture was the thing I realized some minutes before taking it.

I was sitting on a bench in the exact same posture Magda drew me. Instead of reaching for the moon, I was reaching for the coffee cup. But the meaning beyond it is what Magda thought when she drew it.

I’m a dreamer, reaching for the sky, but always supporting myself to keep it real. This coincidence was very important to remember this message, to center myself again.

As you would say, Magda, this whole experience was “magic”. I hope to see you soon and be more and more the person you saw in me.

Três conhecidos se conhecem em Genebra

Eu conhecia ele, eu conhecia ela, eles se conheciam. E foi só a mais de 9720 km de distância que nos juntamos pela primeira vez.

Foi em Genebra, a cidade suíça com seu jato de água de 140 metros de altura, suas propagandas de relógios caros que nunca poderei comprar e sua sede da ONU.

Foi com eles que eu comecei a me conectar e reconectar com coisas perdidas dentro de mim e ainda não descobertas. Minhas bochechas doíam de tanta risada, e minha mente estava sempre agitada mirabolando sobre nossas discussões randômicas.

Thibault, como um bom anfitrião, nos levou pelas ruas de Genebra até lugares lindos, até jantares na casa de amigos, e até o MAMCO. Quando Thibault me perguntou o que eu mais gostei daqueles dias em Genebra, a primeira coisa que pensei foi MAMCO.

MAMCO é o museu de arte moderna e contemporânea. Eu tinha a percepção de que arte não era comigo, que eu não “perderia” horas dentro de um museu. Mas foi o que aconteceu, e até faltou tempo.

O interessante da arte contemporânea é tudo que está subentendido nela, e explorar isso com meus dois amigos foi uma experiência única. Cada um com sua interpretação, ou melhor, sensação sobre a obra. Chegamos à conclusão que arte não precisa ser interpretada ou ter um significado único, ela apenas desperta ou não algo em você.

O silêncio inquieto nosso diante das obras, absorvendo e interagindo com aquilo para compartilhar com o outro, foi uma troca intensa e sincera. Toda vez que lembro disso, é quase como me teletransportar de volta para aquela tarde.

Eu sou muito grata por nós três não termos marcado bobeira e termos concretizado esse encontro. Eu gostei de ver vocês? Gostei. Eu espero ver vocês de novo? Em breve.

P.S.: Eu e Thibault esperamos que Daphnny deixe de utilizar as redes sociais como se fosse uma troca de cartas e respondesse em menos de 3 meses. Caso não, continuamos gostando de você.

Finding balance through acupuncture


I had terrible neck and back pain. I felt anxiety all over my chest, making it difficult to breath sometimes.

Someday my mom said “Your school friend’s sister became an acupuncturist, we should schedule an appointment with her”. The sister is now a dear friend of us, called Jessica, and she was responsible for improving energy balance in both of us.

We are giving and receiving energy all the time. The same happens with our bodies, with our cells, and it can be that the energy is not spread equally. Let’s say that acupuncture can help you get this energy where it belongs.

“Trust the vibes you get, energy doesn’t lie”

After almost one year of acupuncture, the pain, anxiety and stress are lower. It’s a process, not all benefits can be seen in one session. But I feel relaxed and renewed every single time.

The effect of the needle entering your body can be different – for those who fear needles, I’m the same, but I ensure you this is good. Sometimes you can feel an electric shock, heat or/and deep relaxation. It depends on the person and your sensibility that day.

I never thought that threading needles all over my body would be such a life-saver. Together with meditation and yoga, these are my ways to remind me of living meaningfully and respect my body.

For more details on acupuncture, follow @bescrovaineacupuntura to appreciate my friend’s work and to try it out!

Sobre um livro e a empatia

Ano passado assisti à série Atypical, minha primeira imersão na realidade de uma pessoa no espectro autista. Você começa a ter ideia porque a luz e o barulho incomodam, porque as emoções ao redor podem ser tão difíceis de entender. Quando os colegas na escola estão tirando sarro dele, Sam nos diz que sabe que estão rindo dele, só não consegue entender o porquê.

É estranho pensar que o que nós vemos, ouvimos, sentimos e vivenciamos é completamente diferente da experiência dos outros. É como se um mundo inteiro habitasse dentro de cada um de nós.

E é por isso que eu gosto de ler, me dá a oportunidade de visitar esses outros mundos, mesmo que seja com alguns filtros dos quais seja impossível me desprender.

Recentemente li o livro Passarinha, de Kathryn Erskine. Ele aborda a Síndrome de Asperger, que tem suas semelhanças com o autismo, mas as habilidades linguísticas e intelectuais geralmente são mais desenvolvidas.

Acompanhei, em primeira pessoa, Caitlin, de 10 anos, que acaba de perder o irmão mais velho durante um tiroteio na escola. O dicionário dela é a forma dela entender o que ela deveria estar sentindo e o que deveria estar buscando agora que seu irmão se foi. Então, à sua maneira, Caitlin insiste que ela e seu pai precisam achar o tal do Desfecho.  E nessa busca ela terá que aprender a lidar, entre outras coisas, com a temível empatia.

“Embora eu não achasse que iria gostar da empatia ela é uma coisa assim que chega sem avisar e faz você sentir um calorzinho gostoso no Coração. Acho que não quero voltar para uma vida sem empatia”

Caitlin

Pesquisas dizem que ler ficção é uma forma de desenvolver empatia. Deve ser por isso que fiquei com um calorzinho gostoso no Coração ao terminar esse livro.

To my brilliant friend in Budapest

Dear Letícia,

Who would expect that, on December 16, 2018, six and a half hours after leaving Munich, I would arrive in the Hungarian capital to stay four days with you?

We didn’t know much about each other, but Elis always said we were similar, and our friend turned out to be right.

Few days, but it was almost like building a routine.

Drinking hibiscus or green tea with a LOT of ginger. Eating linzertorte* and your homemade christmas cookies. Bumping into your speechless Chinese roommate. Going to Kiraly, the oldest thermal bath in Budapest, and having deep conversation with old gentleman in the jacuzzi.  Exploring different rooms at Szympla, a ruin bar, where I took 15 minutes to choose one glass of Hungarian wine and then left because both of us were tired.

*Interesting fact: almost every typical german food is actually from Austria, like this pie.

During our photo shooting, we had so much fun exploring the beautiful city with its European architecture and soviet traces while freezing and hiding from the cold in warm coffees. Honorable mention to the weird dog that couldn’t find his mom and his joyful run when he finally saw her.

We shared thoughts about books, socialism, master thesis, living in foreign countries and plans for the future. I agree when you say it’s good to know someone as weird as yourself. Your blog inspired me to start this one, that’s why I dedicate my first post to you. As Lenu would say, you’re a brilliant friend!

Sincerely,

Sofia

Follow @lolasoleilfotografia on Instagram for more amazing photos from Letícia